A cantina escolar é um dos espaços mais movimentados de qualquer instituição de ensino. Filas, dinheiro trocado às pressas, cadernos de fiado com anotações ilegíveis e estoque controlado na intuição. Por décadas, essa foi a realidade de gestores, atendentes e pais em todo o Brasil. Mas esse cenário está mudando rapidamente, e a Minepay é um dos nomes que lidera essa transformação.
Fundada com o propósito de digitalizar completamente a operação das cantinas escolares, a Minepay desenvolveu uma plataforma que elimina o dinheiro físico, integra pagamentos via Pix, controla estoque em tempo real, gerencia o fiado de forma transparente e conecta pais, alunos e gestores em um único sistema. O resultado, segundo a empresa, é uma cantina mais ágil, segura e previsível financeiramente.
Para entender a fundo o problema que a Minepay resolve, a visão de negócio por trás da plataforma e para onde caminha a gestão de cantinas escolares no Brasil, o Editor deste blog conversou com Gustavo Pires, CEO e especialista em soluções digitais para o setor educacional. A entrevista a seguir é um retrato honesto de como a tecnologia pode transformar um ambiente que muitas escolas ainda tratam como secundário — mas que impacta diretamente a experiência de milhares de alunos todos os dias.
Entrevista com Gustavo Pires, CEO da Minepay
1. Gustavo, antes de falar sobre a Minepay, eu quero entender o problema. Como era a realidade das cantinas escolares antes de sistemas como o de vocês? O que motivou você a entrar nesse mercado?
Gustavo Pires: A realidade era, e ainda é em muitos lugares, bastante caótica. Quando comecei a observar de perto a rotina das cantinas, vi algo muito claro: havia uma operação de médio porte sendo gerida com ferramentas do século passado. Caderno de fiado, caixa cheio de moedas, estoque controlado na memória do atendente, sem relatório, sem histórico, sem rastreabilidade. Pais sem visibilidade do que o filho comprava. Gestores sem dados para tomar decisão.
O que me motivou foi exatamente essa lacuna. Num país onde o Pix já virou sinônimo de pagamento instantâneo, onde aplicativos de banco são usados por pessoas de todas as idades, a cantina escolar ainda operava no analógico. Havia uma oportunidade enorme de trazer segurança, agilidade e transparência para um ambiente que atende crianças e adolescentes todos os dias. Isso tem peso social, não é só negócio.
2. Me explica como o Minepay funciona na prática. O aluno chega na cantina, o que acontece?
Gustavo Pires: O fluxo é muito simples, e essa simplicidade foi uma das nossas prioridades no design do sistema. O aluno chega no balcão, se identifica pelo nome, código ou pelo próprio app, escolhe o que quer, e a compra é debitada do saldo que foi carregado previamente pelos pais. Não tem troco, não tem dinheiro físico sendo manipulado, não tem fila parada esperando alguém encontrar moeda no fundo da mochila.
Do lado do atendente, o PDV é intuitivo, pensado para operações rápidas. Do lado do gestor, tudo fica registrado: o que vendeu, para quem, qual horário, quanto de estoque foi consumido. E do lado dos pais, há um aplicativo onde eles acompanham o saldo do filho, o histórico de compras e podem recarregar a qualquer hora pelo Pix. É um ecossistema fechado onde todos ganham visibilidade.
3. O fiado é uma tradição profundamente enraizada nas cantinas escolares brasileiras. Como a Minepay lida com isso sem destruir uma prática cultural que muitos gestores ainda valorizam?
Gustavo Pires: Essa é uma das perguntas que eu mais gosto de responder, porque toca num ponto real. O fiado não é o problema em si, o problema é a desorganização que ele gera quando não é gerido com ferramentas adequadas. Anotação que se perde, soma errada, constrangimento na cobrança, desentendimento entre pais e escola. Isso acontece porque o processo é manual.
No Minepay, o fiado existe de forma digital e controlada. O gestor define se quer habilitar essa funcionalidade, para quais alunos, com qual limite. Cada compra no fiado é registrada automaticamente, com data, valor e histórico. Os pais recebem notificação e podem quitar pelo app. Não tem surpresa no final do mês, não tem discussão sobre o que foi ou não comprado. O fiado deixa de ser uma dor de cabeça e passa a ser uma ferramenta de relacionamento com a comunidade escolar. Isso é transformação real, não é só substituir papel por tela.
4. Estoque e merenda escolar são dois pontos críticos, especialmente em escolas públicas que prestam contas ao poder público. Como o sistema trata essa camada mais complexa da gestão?
Gustavo Pires: É um ponto onde a tecnologia faz uma diferença enorme e que muitas vezes é subestimado. No controle de estoque, a plataforma conecta diretamente as vendas ao inventário. Quando um salgado é vendido, o sistema desconta automaticamente os ingredientes cadastrados na receita — a farinha, o recheio, a embalagem. Isso evita dois problemas clássicos: o gestor que descobre que acabou o produto no meio do intervalo, e o desvio silencioso que acontece quando não há rastreabilidade.
Na merenda escolar, o nível de exigência é ainda maior porque há normas sanitárias e prestação de contas para secretarias de educação e órgãos de fiscalização. O Minepay registra a entrada dos alimentos, o preparo, a distribuição por turma ou por aluno, e gera relatórios para auditoria. Isso garante transparência e conformidade legal. Para escolas públicas, isso não é diferencial, é obrigação — e ter um sistema que torna esse processo simples e auditável é um valor imenso.
5. Segurança de dados é um tema cada vez mais sensível, especialmente quando falamos de crianças e adolescentes. Como a Minepay trata a conformidade com a LGPD num ambiente escolar?
Gustavo Pires: A LGPD mudou o nível de atenção que qualquer empresa que lida com dados de menores de idade precisa ter. E o ambiente escolar é particularmente sensível: você está falando de hábitos alimentares, histórico financeiro familiar, rotina diária de uma criança. Esses dados têm que ser tratados com o máximo de cuidado.
No Minepay, a estrutura de permissões é granular. Cada perfil — operador de cantina, gestor escolar, pai ou responsável, aluno — acessa apenas o que é necessário para a sua função. Os dados de menores são protegidos e nunca compartilhados com terceiros sem consentimento explícito. Trabalhamos com criptografia nos dados sensíveis e com infraestrutura em nuvem com padrões de segurança robustos. A adequação à LGPD não é um item de checklist para nós, é parte da arquitetura do produto desde o início.
Num mundo onde a Associação Brasileira de Ciência de Dados e IA já debate ativamente padrões de governança e ética para sistemas que processam dados de pessoas vulneráveis, isso precisa estar no DNA de qualquer plataforma que atende o setor educacional.
6. O mercado de edtech no Brasil cresceu muito nos últimos anos. Como você enxerga a concorrência e o que diferencia o Minepay das outras soluções disponíveis?
Gustavo Pires: O crescimento do edtech foi real, mas a maioria das soluções se concentrou no ensino em si — plataformas de conteúdo, LMS, ferramentas de avaliação. A gestão operacional da escola, e a cantina especificamente, ficou de lado por muito tempo. Quando começamos a olhar o que existia no mercado para cantinas, o que encontramos eram adaptações de sistemas de restaurante ou de PDV genérico, que não entendiam o contexto escolar: a questão do fiado, a merenda pública, o aplicativo para os pais, o perfil do aluno como usuário.
O diferencial do Minepay é que o produto foi construído de dentro para fora do ambiente escolar. Não é um sistema de restaurante com o logo de uma escola. É uma plataforma que conhece a dinâmica do intervalo, o comportamento dos pais, a necessidade do gestor de ter relatório para apresentar na reunião pedagógica. Além disso, o suporte é humanizado, o que no nosso segmento faz uma diferença brutal, porque gestores de cantina não são necessariamente técnicos em tecnologia.
7. Totem de autoatendimento é uma tendência que vocês acompanham de perto. Qual é o impacto real dessa tecnologia no dia a dia de uma cantina escolar e quando faz sentido adotar?
Gustavo Pires: O totem resolve um gargalo específico: a fila no horário de pico. Numa escola grande, o intervalo dura quinze, vinte minutos. Se você tem duzentos alunos querendo comprar ao mesmo tempo e dois atendentes, a fila não anda. O totem de autoatendimento funciona como um ponto adicional de venda autônomo, onde o aluno faz o pedido sozinho, confirma pelo saldo da conta e retira na janela de entrega.
Quando faz sentido adotar? Para escolas com mais de trezentos alunos e fluxo concentrado no intervalo, o retorno é imediato em redução de fila e satisfação dos alunos. Para escolas menores, o PDV convencional integrado ao sistema já resolve bem. O totem é uma camada adicional de automação, não um requisito básico. O que precisa existir antes é a digitalização do pagamento, o controle de saldo e o PDV integrado — o totem é o próximo passo natural para quem já tem essa base. A consultoria de tecnologia que fazemos com escolas em fase de maturidade digital sempre recomenda essa sequência: primeiro a base, depois a automação avançada.
8. Para encerrar: qual é a sua visão para os próximos três anos? Para onde vai a cantina escolar brasileira e qual é o papel da inteligência artificial nessa evolução?
Gustavo Pires: Eu acredito que nos próximos três anos a cantina cashless vai deixar de ser diferencial e vai virar padrão nas escolas brasileiras que se preocupam com a experiência do aluno. O Pix acelerou a cultura do pagamento digital no Brasil de uma forma que poucos países experimentaram, e isso criou uma janela de oportunidade enorme para digitalizar ambientes que ainda resistiam.
O papel da inteligência artificial nessa evolução é muito concreto. Não estou falando de ficção científica. Estou falando de IA aplicada a previsão de demanda — o sistema aprender com o histórico de vendas para sugerir quanto encomendar de cada produto antes do fim de semana ou antes de uma data comemorativa. Estou falando de alertas automáticos para pais quando o saldo do filho está acabando. Estou falando de detecção de padrões de consumo que podem indicar alunos com dificuldades nutricionais para o serviço de orientação escolar.
A cantina do futuro não é um lugar de tecnologia pela tecnologia. É um ambiente onde os dados gerados no dia a dia se transformam em decisões melhores, em menos desperdício, em mais segurança para as crianças e em mais tranquilidade para os pais. O Minepay está construindo essa camada agora, para que as escolas brasileiras não precisem esperar o futuro chegar — elas podem criar esse futuro hoje.
Para quem quer se aprofundar nas tendências de desenvolvimento assistido por IA e automação de processos, vale acompanhar a newsletter gratuita sobre Vibe Coding e explorar ferramentas como a plataforma de IA para desenvolvimento que está democratizando a criação de soluções como o próprio Minepay.
Gustavo Pires é especialista em copywriting e web design, CEO da Minepay e dedicado a criar soluções digitais inovadoras para o setor educacional. Saiba mais em minepay.pro.

